COMITÊ DE DEFESA DA REVOLUÇÃO CUBANA - INTERNACIONALISTA O CDR-I é uma entidade de apoio e defesa da Revolução Cubana e do Socialismo, atuando em diversas cidades, como Vitória, Belém, Goiânia... Qualquer pessoa pode participar das atividades do CDR-I, independentemente de idade, grau de instrução, partido político, religião etc. O único requisito para participar do CDR-I é defender a Revolução Cubana e o Socialismo. (Site nacional: http://cdribrasil.sites.uol.com.br/)

1.08.2007

Perspectivas Históricas sobre o Desenvolvimento da América Latina





08/01/2007

Perspectivas Históricas sobre o Desenvolvimento da América Latina
Noam Chomsky

É a primeira vez, desde as conquistas espanholas, 500 anos atrás, que tem havido movimentos reais em direção à integração na América do Sul. Os países permaneceram muito separados uns dos outros. E integração está vindo a ser um pré-requisito para a independência autêntica. -

11.17.2006

Mídia dos EUA é racista, acusa diretor de "Guantánamo"

17/11/2006
Mídia dos EUA é racista, acusa diretor de "Guantánamo"
Folha de S. Paulo - Luciana Coelho

Acordar as pessoas do torpor político que tomou parte do mundo quanto à guerra ao terror de George W. Bush era a meta do diretor britânico Michael Winterbottom com seu "O Caminho para Guantánamo", que estréia hoje no país.

Para tanto, o cineasta, que costuma mesclar realidade e ficção, decidiu contar a história dos Três de Tipton --três jovens muçulmanos britânicos detidos durante quase dois anos por militares americanos sem nenhuma acusação.

Munido de horas de depoimento, Winterbottom reproduziu na tela a história que Shafiq, Ruhel e Asif lhe contaram, desde outubro de 2001, quando deixaram Tipton (reduto de imigrantes islâmicos no centro da Inglaterra) rumo ao Paquistão para o casamento de Asif, até março de 2004, quando saíram de Guantánamo.

Apesar do limbo legal dos mais de 400 "combatentes inimigos" detidos na prisão dos EUA em Cuba ser um dos principais alvos das críticas ao governo Bush, foi a versão de como os Três de Tipton acabaram presos o que mais atraiu a atenção da mídia americana ao falar do filme. "Racismo" é a leitura de Winterbottom. "Se fossem três cristãos brancos que tivessem ido para algum país para ajudar quem precisasse, ninguém ia achar que eles estavam mentindo", disse o cineasta.

A seguir, trechos da entrevista do diretor à Folha, feita por telefone, de Nova Déli (Índia), onde filma "A Mighty Heart".

Folha - Como trabalhar simultaneamente com ficção e realidade?
Michael Winterbottom - Isso muda de filme para filme. Por exemplo, em "A Festa Nunca Termina" queríamos contar histórias reais, que as pessoas tivessem a sensação de que aconteceram, mas ao mesmo tempo tínhamos um compromisso um pouco mais frouxo com os fatos, o importante era narrar a experiência. Já em "O Caminho para Guantánamo" a idéia era que essas três pessoas passaram por isso, e nós tentamos contar sua história. Em vários sentidos foi bem simples: eles nos contavam o que havia acontecido, e nós tentávamos fazer disso um filme.

Folha - Uma reconstituição?
Winterbottom - Exatamente. E eu não estou falando de uma versão ficcionalizada da história. Nós nos ativemos ao que eles disseram, não tentamos criar um tipo X de personagem nem momentos dramáticos.

Folha - Como você decidiu filmar a história dos Três de Tipton?
Winterbottom - Quando foram soltos, contatamos o advogado deles. Nossas conversas duraram uns seis meses até que os três topassem a idéia. Então fomos até a casa deles e praticamente vivemos com eles por um mês -todos os dias íamos lá e gravávamos os depoimentos. Depois, tínhamos horas de gravação e cerca de 400 páginas de transcrições com a versão deles dos fatos. Isso virou uma espécie de manuscrito do filme.

Folha - A reconstituição foi baseada somente nesses depoimentos?
Winterbottom - Houve outros testemunhos que acabaram ajudando a contextualizar, como um livro escrito por um interrogador americano que foi responsável por eles em Candahar. Também para filmar a operação no Afeganistão tínhamos imagens reais de telejornais da época. Da mesma forma, para Guantánamo, também tínhamos muita filmagem de arquivo oficial para reconstituir exatamente como ela é.

Folha - Ainda assim, houve críticas na imprensa ao fato de você ter baseado o filme na versão deles.
Winterbottom - Quanto a questionarem a versão deles para ir para o Afeganistão, para mim é impossível dizer exatamente o que aconteceu. Você tem três pessoas que dizem que foram até Karachi, ouviram numa mesquita que irmãos muçulmanos precisavam de ajuda no Afeganistão e decidiram ir para lá. Eu estava nessa mesma época no Paquistão e absolutamente todo mundo com quem eu falava achava que, como bom muçulmano, deveria ajudar seus irmãos no Afeganistão. A idéia de que você precisa ser um radical ou um extremista para fazer isso é uma besteira.

Folha - Como você acha que essa experiência os afetou?
Winterbottom - Só os conheci depois, mas eles dizem ter descoberto com tudo isso uma religiosidade que não tinham.

Folha - Cinco anos após o 11 de Setembro, as platéias estão mais sensíveis a esse tipo de história?
Winterbottom - Tenho dúvidas. Normalmente eu vinha conseguindo reações positivas, mas quando mostrei o filme nos EUA, para jornalistas, havia essa inferência de que eles [os Três de Tipton] deveriam estar mentindo. Que para estar lá os caras tinham de ser terroristas, porque afinal a América tem de combater as pessoas más [fala de Bush reproduzida no filme], logo eles são pessoas más. Foi deprimente.

Fonte

11.16.2006

ONU aprova pela 15º vez fim do bloqueio a Cuba; movimentos sociais fazem ato em solidariedade

Faro AG BR Capital Press

Ontem, pela 15º vez consecutiva, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou por maioria uma resolução que exige do governo dos Estados Unidos o fim do bloqueio a Cuba. Em número recorde, 183 países votaram a favor da resolução, quatro contra e só um se absteve. Ao mesmo tempo, cerca 300 pessoas de diversos movimentos sociais e entidades manifestaram apoio e solidariedade ao povo cubano, em um ato chamado Cuba Si, realizado na UnB (Universidade Federal de Brasília), no Distrito Federal. A atividade contou com uma exibição de vídeo, intervenção teatral e um pronunciamento do embaixador de Cuba no Brasil.

Um dos objetivos do evento era protestar contra o bloqueio econômico comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba, chamando atenção da sociedade para a situação do povo cubano, que sofre com essa política. Até hoje, Cuba já teve um prejuízo de 86 bilhões de dólares.

Os participantes exigiram também a libertação dos cinco cubanos presos injustamente nos Estados Unidos. Com gritos de ordem, eles fizeram um cortejo pelo corredor do ICC Ala Norte, enquanto um grupo teatral do MST representava os imperialistas dos Estados Unidos e os cinco presos cubanos. Logo após, no Anfiteatro 11, foi exibido o vídeo "Desafio", sobre o embargo econômico, seguido de pronunciamento do embaixador e de representantes das entidades participantes.

O embaixador, Pedro Juan Nunes Mosquera, agradeceu os movimentos sociais brasileiros e disse que esse apoio é muito importante, já que “o povo cubano é muito digno e valente, mas tem que enfrentar não só a agressividade política dos Estados Unidos, mas também uma campanha de difamação mundial muito grande”. Segundo os movimentos e entidades, esse foi o primeiro de muitos atos e atividades em solidariedade a Cuba.

Participaram do evento: MST; NESCUBA (Núcleo de Estudos Cubanos na UnB); UNE (União Nacional dos Estudantes); UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas); DCE-UnB (Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães – UnB); UJS (União da Juventude Socialista); CMP (Central de Movimentos Populares); APAC (Associação de Pais e Apoiadores dos Estudantes Brasileiros em Cuba); CDR-I (Comitê de Defesa da Revolução Cubana Internacionalista); Médicos Brasileiros Formados pela ELAM (Escola Latino-americana de Medicina – Havana/Cuba); CUT (Central Única dos Trabalhadores); SINPRO-DF (Sindicato dos Professores no DF); SINTFUB (Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília); MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens); MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia); RENAP (Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares); MPA (Movimentos dos Pequenos Agricultores); CIMI (Conselho Indigenista Missionário); Frente Parlamentar Brasil-Cuba; Comunidade da Universidade de Brasília (Servidores, Estudantes, Professores, Grupos de Pesquisa e Coletivos Estudantis).

11.15.2006

II Coloquio Internacional “Por la Liberación de los Cinco Héroes y la Lucha Contra el Terrorismo”

Los participantes en las sesiones del II Coloquio Internacional “Por la Liberación de los Cinco Héroes y la Lucha Contra el Terrorismo”, acordamos, unánimemente, emitir la siguiente Declaración Final:

A todos los amantes de la justicia.

Desde hace más de ocho años se encuentran presos de forma injusta, en cárceles de los Estados Unidos de América, cinco valerosos cubanos, cuyo único delito ha sido combatir con dignidad el terrorismo.
El largo y politizado proceso ha servido para que se cometan contra ellos y sus familiares, las más increíbles torturas físicas y mentales; violaciones de las normas del debido proceso y de las reglas sobre el tratamiento a los detenidos, constituyendo flagrantes violaciones de los principios más esenciales del derecho estadounidense y del internacional.

El imperialismo norteamericano continúa por todas las vías, formas, métodos y medios, atacando a la Revolución Cubana, tratando de matar por hambre y hacer rendir al pueblo cubano. Para ello acude a las más viles, groseras, vulgares e ilegales acciones, manteniendo, desde hace más de 45 años, el criminal, genocida y terrorista bloqueo contra Cuba; lo que demuestra el irrespeto a los derechos humanos y al derecho internacional.

El gobierno de los Estados Unidos de América mantiene una doble moral y rasero en su política de lucha contra el terrorismo, ya que alberga, protege y apoya logística, financiera y moralmente a las organizaciones terroristas que maniobran desde su territorio, de forma permanente y sistemática, para preparar actos de ese tipo; lo que ha ocasionado víctimas, no sólo al pueblo cubano, sino a los de otros países, incluido al propio pueblo estadounidense.

La República Bolivariana de Venezuela, de forma legal y oficial, ha solicitado a Estados Unidos la extradición, como lo establece el convenio rubricado entre ambos países en 1928, para que Luis Posada Carriles, prófugo de la justicia venezolana y protegido en territorio estadounidense, responda ante los tribunales venezolanos por los actos de terrorismo cometidos, entre ellos como autor de la voladura de un avión civil en pleno vuelo que privó de la vida a 73 inocentes víctimas.

La posición de Estados Unidos de América ante esa solicitud, es la dilatación del proceso, para no cumplir la Resolución del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas, que obliga a todos los estados a denegar refugio, financiamiento y albergue a terroristas; a la extradición al país que corresponda o al procesamiento de las personas acusadas de cometer actos terroristas por tribunales propios, aún cuando sean extranjeros.

Teniendo en cuenta lo anterior:
1- Demandamos, al gobierno de los Estados Unidos de América, para que ponga en libertad ¡Ya! a los Cinco Héroes Cubanos presos en sus cárceles, debido a que no han cometido delito alguno.

2- Exigimos, que cesen ¡inmediatamente! por parte de los Estados Unidos de América las sistemáticas y reiteradas violaciones de los derechos humanos que se cometen contra los cinco cubanos y sus familiares, que ajusten su actuar a las normas del derecho, en especial, las del debido proceso, y a que respeten su propia constitución.

3- Instamos, a los magistrados de la corte del 11 circuito de Atlanta, a que hagan justicia y fallen la apelación presentada a favor de los cinco, por ser inocentes y carecer de basamento legal las condenas que les han sido impuestas.
4- Pedimos a todos los hombres y mujeres honestos del mundo, que trabajen de forma intensa en la noble tarea de divulgar la justa causa por la que luchan los cinco héroes y que exijan la liberación de los mismos.
5- Urgimos al gobierno norteamericano, a que desactive los grupos y organizaciones terroristas que residen en ese país, en especial las radicadas en Miami, para evitar que continúen cometiendo actos terroristas contra Cuba, contra su propia nación y contra otros países del mundo.

6- Instamos al gobierno de los Estados Unidos de América, a que disponga de inmediato la extradición hacia la República Bolivariana de Venezuela de los connotados terroristas Luis Posadas Carriles y Orlando Bosch.

Si el gobierno norteamericano no aprueba la solicitud de extradición debe, entonces, juzgar a dichos terroristas con sus propios tribunales, como lo exige el convenio de la aviación civil suscrito en Montreal, Canadá, en 1971 y la Resolución No. 1373 de 2001 del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas.
7- Condenamos el ilegal, injusto y criminal bloqueo económico impuesto por los gobiernos yanquis a Cuba desde hace más de cuarenta y cinco años, y exigimos el cese del mismo, por ser un acto de terrorismo de estado.

8- Ratificamos, a los Cinco combatientes antiterroristas, a sus familiares y a todos los que batallan por su liberación, que seguiremos luchando en defensa de la justa causa que ellos representan y que no cejaremos en el empeño de su liberación, porque estamos seguros que: ¡ Volverán !¡

¡ Libérenlos ya !
¡ Vivan nuestros Cinco Héroes Prisioneros !
¡ Viva la Revolución Cubana !
¡ Hasta la Victoria Siempre !

Ciudad de Holguín, 11 de noviembre de 2006.
II Coloquio Internacional “Por la liberación de los Cinco y la Lucha contra el Terrorismo.”

"Pancho Villa: The Revolution Has Not Ended"

THE CENTER FOR LATIN AMERICAN STUDIES AT UC BERKELEY
THIS WEEK AT CLAS

"Writing from the Margins: Borges, Reyes and Arguedas"
Amelia Barili will discuss links between the works of Jorge Luis Borges and José María Arguedas through Alfonso Reyes' concept of "inteligenciaamericana." She analyzes how Borges and Arguedas' ideas begin to converge through their mutual interest in ancient cosmogonies and marginality.

Amelia Barili teaches in the Spanish and Portuguese Department in UCBerkeley. She was a personal friend of Jorge Luis Borges and her conversations with him have been published in numerous newspapers. Herbook "Jorge Luis Borges y Alfonso Reyes: La cuestión de la identidad del escritor latinoamericano" was published by Fondo de Cultura Económica with a prologue by Elena Poniatowska.
Monday, November 13, 12:00 pm
CLAS Conference Room, 2334 Bowditch StreetMore
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Film ScreeningPancho Villa: The Revolution Has Not Ended
A documentary by Francesco Taboada

In 1999, Don Ernesto Nava celebrated his 85th birthday with his family and revealed to them a secret that he had kept all of his life. He recalled how, on his 8th birthday, his mother had told him: “Look, you are the son of Gen. Francisco Villa, but you may never tell any one.” Eighty-two years after having crossed the Rio Bravo, Nava returns to Mexico to discover who his father was. In Spanish with English subtitles, 102 minutes. Part of the 10th International Latino Film Festival.

Tuesday, November 14, 7:00 pm
Room 159, Mulford HallMore

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Symposium"Reinventing Venezuela: A Symposium on Culture, Memory, and Power"
Friday and Saturday, November 17-18
Tilden Room, ASUC (King Student Union) Building
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"Los acuerdos de paz en Guatemala: La reconciliación, un proceso integralque supera los ámbitos, la justicia y la reparación", by Carmen Aída Ibarra
This lecture will be delivered in Spanish.Monday, November 20, 4:00 pm
CLAS Conference Room, 2334 Bowditch Street
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Colloquium "Mesoamerican Time Before and After the Spanish Invasion"
The colloquium will provide an opportunity to reflect on what it means tothink about time before and after the European invasion of the Americas.The conversation will explore concepts of time beyond the commonplacesthat reduce European time to linear structures and Mesoamerican time tocyclical patterns.
Tuesday, November 21, 8:30 am - 6:30 pm
Geballe Room, 220 Stephens Hall
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Center for Latin American Studies, at UC Berkeley2334 Bowditch StreetBerkeley, CA
95720-2312E-mail: clas@berkeley.edu

Tel: 510-642-2088

11.07.2006

Arte e Identidade na América Latina

07/11/2006
Agência Carta Maior - Mariza Bertoli

Em congressos, seminários e encontros sobre o tema, críticos e teóricos da arte, com diferentes posicionamentos, têm concordado em um ponto: a urgência de um ideário para a crítica de arte que possa revelar o próprio da nossa arte. Efetivamente a intenção não é mostrar uma homogeneidade, mas apontar para os caminhos do projeto identitário, tão plural quanto as nossas culturas, tão similar na trama simbólica.

O que nos identifica nas nossas diferenças? Quais os nexos de sentido visíveis nessa produção simbólica? São perguntas que nos fazemos, sempre tentando ver através de um ponto de vista lá de fora. Esquecendo-nos da lição das estéticas simbólicas que, libertas do modelo etnocêntrico, afirmam-nos que, no universo da cultura, o centro está em toda parte. É preciso, portanto exercitar o olhar novo, capaz de ver-se e ver-nos no nosso próprio mundo simbólico.

Nessa trajetória, há que se destacar, entre outros, o posicionamento crítico, polêmico e corajoso de Juan Acha, teórico peruano, radicado no México, que considera "a nossa realidade estética" carente de uma crítica capaz de superar as generalizações típicas da cultura ocidental. Afirma o teórico, apaixonado, que indagamos e respondemos, ainda hoje, nos paradigmas herdados do conquistador. É ele quem comenta: o que se costuma chamar de universal nada mais é que o nacional dos países dominantes.

A argentina Marta Traba, crítica de arte destacada, (radicada na Colômbia até o seu falecimento em 1983), postula uma arte de resistência aos mecanismos de dominação, principalmente ao que ela define como "a deterioração proclamada pelas vanguardas estadunidenses". Em contraponto a essas argumentações incisivas, que podem parecer em um primeiro momento extremadas, dialogam diversas orientações teóricas que vêm dando densidade ao tema.

Em qualquer dos casos, porém, a indagação que se impõe é: como apreender esses nexos de latino-americanidade (seja pela presença ou pela ausência) se os imaginários são múltiplos e a cultura hegemônica se apóia nos postulados do universal e dos nacionais?

Sempre que se tenta compreender essas dinâmicas culturais, a recorrência ao momento do modernismo (brasileiro) e dos movimentos vanguardistas (hispano-americanos e caribenho) é uma constante.

Nas décadas de 20 e 30 do século XX, quando eclodiram os movimentos artísticos nas artes plásticas, as sociedades nacionais estavam sacudidas por lutas políticas em todos os pontos do continente. As independências ou a formação dos estados nacionais eram questionadas com veemência no seu centenário. No capitalismo internacional que se estruturava em cada um dos novos estados nacionais, o ecletismo era sintomático e a queima de etapas que ocorria nos centros culturais era típica das culturas dependentes. Perguntavam-se os mais críticos: Comemorar o centenário da independência? Que independência?

Como sempre, eram os artistas, entre os líderes políticos mais avançados, os que questionavam, exigiam mudança, promoviam a ação. Na efervescência desses movimentos, a apreensão dos signos da modernidade dava-se de forma dicotômica, num movimento de impulso modernizador e reação conservadora. Internacionalismo, nacionalismo e regionalismo entravam em luta. Entre mortos e feridos emergia "o novo", "o próprio", a afirmação da identidade.

Podemos considerar os movimentos que eclodiram simultaneamente em todo o continente, como um traço identitário, um arrepio que sentimos ao mesmo tempo em diversos pontos do continente.Observando os manifestos que desencadeiam os movimentos modernista e vanguardistas, pode-se colocá-los em duas grandes vertentes: uma comprometida com as lutas sociais e políticas da sua época e a outra que se mantém dentro dos limites da revolta plástica. Embora seja temerário falar desses limites, sob o enfoque das afinidades, o denominador comum entre esses documentos inaugurais aponta para as seguintes orientações:
  • um olhar para a própria realidade para nos definir e identificar como diferentes perante a Europa;
  • a constatação de que somos uma diversidade que o olhar ocidental tenta homogeneizar;
  • o despertar para a modernidade, seja pela volta ao passado como modelo de reconstrução iconológica, seja pela deglutição das vanguardas européias.

Sente-se nesses manifestos a clara intenção de transformar não só a arte, mas a realidade e, em todos é nítido o desejo de construção ou desvelamento da identidade cultural latino-americana, ainda que seja pelo nacional. Os artistas saem do "nicho divinizado", percebem o idealismo enganoso "da arte pela arte" e aproximam-se do público e das lutas políticas que, além do caráter de vanguarda que as envolve, servem de parâmetro para observar as oscilações entre as diversas regiões do continente. Essas diferenças, que podem chegar ao contraste, podem ser observadas nos próprios manifestos dos movimentos através do modelo de discurso e do alcance dos códigos utilizados; do meio que os veicula; do engajamento no processo político emergente; do afã internacionalista ou do ufanismo nacionalista, da utopia nativista ou do regionalismo.

Observam-se algumas diferenças regionais que se afirmam com nitidez nos pressupostos estéticos elaborados para revelar o novo e o próprio, dessa nova produção simbólica. De uma maneira geral, diz-se que o Sul é mais universalista, enquanto que o Norte é mais nacionalista, mas todas essas afirmações parecem reducionistas, pois não há nada tão contrastante ou polarizado, como veremos através de estudos das Chaves da Arte da nossa América que o site Cores Primárias publicará oportunamente.

Proponho partirmos juntos para uma viagem pelas obras de artistas modernos e contemporâneos de várias regiões da América. Vamos percorrer esse mundo simbólico da visualidade, colocando-nos dentro da obra que está nos nossos olhos. Encontrar-nos nas obras desses artistas pode ser uma maneira de sentir a nossa identidade, a nossa diferença.

Convido os leitores a viver a nossa cultura com olhar e ouvidos novos. Observar nas obras de arte os elos de ligação entre uma pintura e um poema, uma música e um filme ou mesmo um discurso político, é uma forma de exercitar o pensamento crítico e o sentimento de solidariedade entre os povos, a partir desse grande abraço que chamamos identidade.

Mariza Bertoli é especialista em estudos latino-americanos , doutora pelo Prolam
da Universidade de São Paulo e professora da disciplina de Critica e Produção de
Arte na América Latina. É filiada à Associação Brasileira de Críticos de Arte.


Texto publicado no site Cores Primárias, parceiro de Carta Maior na coluna Em Estado de Arte.

texto original

Estados Unidos bloqueia Internet de Cuba

O Conselho de Ministros de Cuba decidiu a migração de toda plataforma tecnológica do país para software livre. Na semana passada todos os diretores de informática do Estado Cubano e os grupos de trabalho de migração realizaram um seminário para planejar esta tarefa. Uma das dificuldades apresenadas no seminário é a difícil conexão ao backbone internacional da Internet, que é de apenas 65 Mbps. Meu objetivo em divulgar o texto abaixo é desmistificar a idéia de que não há interesse do governo cubano em aumentar a capacidade da conexão internacional e solicitar ajuda da comunidade software livre internacional e dacomunidade em geral para movermos uma campanha contra o bloqueio daInternet e pensarmos, juntos, uma forma de furarmos o bloqueio com alguma forma alternativa de conectividade internacional a ilha. Nos próximos dias, farei um

10.27.2006

Casa de las Américas

Portal Literal - 27/10/2006

A instituição cubana Casa de las Americas, que patrocina e divulga trabalhos de escritores, músicos e estudiosos de literatura da América Latina e do Caribe, promove a 48ª edição de seu prêmio literário. Autores brasileiros podem concorrer com livros publicados em português nos anos 2005 e 2006 (primeira edição), nos gêneros de ficção (romance, conto ou poesia). O vencedor leva US$ 3 mil e a publicação da obra. As obras devem ser enviadas à Casa de las Américas (3ra. Y G, El Vedado, La Habana 10400, Cuba), ou qualquer das Embaixadas de Cuba até 31 de outubro. Os jurados se reúnem em Havana em janeiro de 2007 para decidir o vencedor. Informações no site.

>> Leia mais

Mostra de Cinema Latino-Americano

Manifesto de Solidariedade ao Povo Cubano

O Comitê de Defesa da Revolução Cubana – Internacionalista do Espírito Santo, Brasil, junto às entidades e pessoas abaixo relacionadas, manifesta sua mais total e irrestrita solidariedade a Cuba e ao Povo Cubano. Somos solidários às conquistas obtidas por esse bravo e heróico povo, que sofre cotidianamente as agruras de um impiedoso e cruel embargo econômico patrocinado pelos Estados Unidos, como tentativa de quebrantar a certeza socialista que existe na alma e vida dos cubanos e cubanas.

A situação de saúde do presidente Fidel Castro tem sido usada como pretexto para uma tentativa de se fazer acreditar no fim do socialismo em Cuba. Enganam-se a imprensa internacional e o governo estadunidense. O povo cubando não permitirá o retorno do país à condição subalterna de bordel e paraíso das máfias instaladas nos Estados Unidos.O povo cubano também se prepara para evitar que suas imensas conquistas sociais sejam dizimadas pela sanha imperialista que alimenta Washington e que tem impingido fome, sofrimento e morte a vários outros povos no planeta.

SOMOS SOLIDÁRIOS A CUBA E AO POVO CUBANO PORQUE

  • Porque consideramos, por princípio e ideologia, o socialismo como o melhor e único sistema capaz de atender às necessidades básicas de toda a população e às condições necessárias para o desenvolvimento da capacidade plena de cada ser humano;
  • Porque o caminho dos povos da América Latina tem uma mesma origem e uma mesma direção. Fomos todos colonizados pela exploração com a mesma função, subalterna e determinada pelo interesse do capital internacional, mas podemos e devemos nos juntar nessa tarefa de construção de uma alternativa a partir de nossas próprias necessidades e potencial;
  • Porque nossa base cultural comum, que permite à identidade latina continuar sempre se renovando e diversificando, tem em Cuba uma fonte de inspiração para a articulação e construção de um sistema adequado à mentalidade e cultura do povo latino americano;
  • Porque temos nos heróis cubanos René González Sehwerert, Ramon Libañino Salazar, Antonio Guerrero Rodríguez, Geraldo Hernández Nordelo e Fernando González Llort, prisioneiros há oito anos quando lutavam pelo nosso sonho na própria trincheira do inimigo, um exemplo de patriotismo e de luta pela construção do socialismo;
  • Porque queremos que Cuba continue a avançar e não retroceda à condição de quintal dos Estados Unidos: que não volte mais a ser local de deleite barato para os norte-americanos, que não se torne paraíso fiscal, que não sofra as conseqüências virulentas do narcotráfico, que não volte a conhecer a fome, a violência urbana, nem seja espoliada de suas riquezas naturais;
  • Porque reconhecemos as experiências cubanas como referência para a promoção do desenvolvimento social e igualitário, experiências que nos mostram a possibilidade real de garantir saúde e educação de qualidade para todos, a possibilidade efetiva de colocar a tecnologia e o aparato do Estado a serviço desses ideais, e não mais em benefício das classes abastadas;
  • Porque Cuba é um país em que o governo soube fazer a educação pública, gratuita e de qualidade para todos, sem qualquer exceção. Cuba tornou-se uma sociedade cujo vigor se encontra em seu próprio povo. Povo esse que, como todos nós, constitui a América Latina em busca de sua própria autonomia;
  • Porque somos socialistas, e somos socialistas porque somos uma enorme massa que sabe, vê e sente a enorme e inexorável desigualdade e exclusão social produzida pelo sistema capitalista.
Ao manifestarmos nossa solidariedade a Cuba e ao Povo Cubano, tornamos também público o nosso repúdio à forma como a maior parte da imprensa, os Estados Unidos e seus lacaios têm tratado a questão da saúde do presidente Fidel Castro. E afirmamos nossa convicção de que o Povo Cubano, ainda que pranteie seu grande líder, não abrirá mão das conquistas sociais e não aceitará sucumbir à barbárie capitalista que os estadunidenses querem impor ao país.

CDR-I / ES
Outubro de 2006

Subscrevem este manifesto
  • Sindicato dos trabalhadores dos Estabelecimentos Bancários do Espirito Santo
  • Central Única dos trabalhadores do Espírito Santo - CUT/ES
  • Sintracical
  • Sindicato do Mármore
  • SISPMC (Servidores Municipais Colatina/ES)
  • Sindicato Comerciários
  • Sindijornalistas/ES
  • Sindilimpe-ES
  • Sindiupes
  • Sintraconst/ES
  • Sindibancários
  • Sindimetal/ES
  • Sindprev/ES
  • MNLM
  • DCE/UFES
  • Contraponto (Movimento Estudantil)
  • Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
  • Instituto ELIMU
  • Mestrado em Políticas Sociais da UFES
  • Brice Bragatto (Deputada Estadual PSOL/ES)
  • Iriny Lopes - Deputada Federal (PT/ES)

XIII Feria Internacional del Libro, em Cuba

O livro e a leitura foram um dos temas recorrentes nas discussões da "Semana Cubana", sendo ressaltadas principalmente suas conexões com o mundo da Literatura e da Educação. Além de termos sido melhor informados a respeito da circulação de livros (e de idéias) em Cuba, tivemos ampliado nosso interesse em conhecer ações realizadas no país em prol do livro e da leitura. Por isso, trazemos aos capixabas alguma informação sobre um dos principais eventos da área realizado em Cuba.

Em fevereiro de 2006 foi realizada a XIII Feira Internacional do Livro, em Cuba. De acordo com o jornal Granma, houve a participação de 250 editoras, representando 24 países. A Feira deste ano aconteceu entre os dias 15 de feveireiro e 07 de março, naFortaleza de San Carlos de La Cabaña, estendendo-se a outras 33 cidades cubanas.


BRASIL, PRÓXIMO CONVIDADO DE HONRA
O Brasil, seus escritores, suas organizações editoriais, suas publicaciones, seus produtores editoriais, serão os principais participantes da XIV Feria Internacional del Libro, que acontecerá em Habana e outras cidades cubanas em fevereiro de 2004.
A indicação do Brasil como país convidado de honra da Feira, segundo seus organizadores, deve promover um conhecimento mais aprofundado, por parte dos leitores cubanos, de uma das culturas latinoamericanas mais singulares.

Mais informações...

Acompanhe de perto o que acontece em Cuba


Visite o site Granma e acompanhe o desenrolar das questões de relevo sobre a luta cubana.

Exposições Fotográficas

As esposições fotográficas "Cotidiano de Cuba" e "Olhar sobre Cuba" fizeram parte da programação cultural da Semana Cubana.



"Olhar sobre Cuba", com fotos de Débora Gusmão, foi apresentada no espaço entre os prédios IC-II e IC-III, na Ufes, Campus Goiabeiras. "Cotidiano de Cuba" apresenta trabalhos dos fotógrafos Leandro Queiroz e Sérgio Cardoso, até o dia 31 de outubro, na Assembléia Legislativa do ES.

Aqui seguem alguns textos de divulgação das exposições:

Exposição de fotos na Ales mostra o cotidiano de Cuba
O dia-a-dia de Cuba pode ser conhecido por meio das lentes dos fotógrafos Leandro Queirós e Sérgio Cardoso na exposição “Cotidiano”, que acontece no hall de entrada da Assembléia Legislativa.

Ao todo, são 20 fotografias coloridas e preto e branco, no tamanho padrão de 30x40, que retratam o cotidiano da vida cubana nos anos de 2000 e 2002.

A exposição faz parte das atividades em comemoração ao 10° aniversário do Comitê de Defesa da Revolução Cubana Internacional do Espírito Santo. Durante toda a semana acontecem exposições fotográficas, mostra de cinema e o fórum 'cuba limites e possibilidades', que prossegue até sexta-feira (27).

Os fotógrafos Leandro e Sérgio são capixabas e explicam que a mostra faz parte da “Brigada de Solidariedade à Cuba”, que consiste numa campanha internacional de ajuda à Cuba para que a população do mundo inteiro possa conhecer um pouco mais a realidade de um país que vive sob o regime socialista.

o público pode conferir a exposição até o dia 31 de outubro, das 8 às 19 horas.
(Link original)

Intercâmbios & Solidariedades

O CDRI/ES abre seu blogue em plena "Semana Cubana: Intercâmbio e Solidariedade". O evento contou com a presença de Reynaldo Feijoo, representante do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos no Brasil (ICAP), e teve uma breve participação do Embaixador Pedro Mosquera e da Embaixatriz Maria del Carmen Orellana Alvarado.

Nos próximos dias, reuniremos aqui dados e imagens das atividades realizadas. Hasta luego,

CDRI/ES